sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Hay brujas?


O mistério da TSU: uma ajuda ao sistema financeiro?


A alteração da Taxa Social Única, com um grande aumento para os trabalhadores e uma redução substancial para as empresas, poderá funcionar na prática como uma ajuda indireta ao sistema financeiro. Os bancos poderão assim evitar mais crédito mal - parado e até encaixar dinheiro de que precisam para cobrir imparidades que estão a aumentar; as empresas, altamente endividadas, poderão reduzir o incumprimento ou até pagar algumas dívidas aos bancos. Se não é esta a causa, parece ser este o efeito.
Desconhece-se se a Troika e o Governo combinaram as alterações da TSU com o objectivo de ajudar indiretamente os bancos. Seria um processo de intenções afirmá-lo taxativamente. Mas a verdade é que, até agora, quase ninguém compreendeu a medida anunciada com tanto dramatismo por Pedro Passos Coelho, no dia 7 de Setembro, dizendo que a situação era muito difícil.

As alterações da TSU são um erro económico porque reduzem a procura interna e destroem emprego em vez de o criarem; são um erro de finanças públicas porque não combatem o défice, só geram 500 milhões de receita, uma gota de água face às necessidades adicionais de cobertura do défice do Estado, avaliadas em 4.900 milhões de euros pelo próprio Governo; são um erro político, porque minam a base de confiança e a aceitação de qualquer outra medida de austeridade que o Governo tome ou venha a tomar – e são uma injustiça social, porque representam uma transferência de recursos do trabalho para o capital.
Como quase toda a gente diz isto, continua sem se perceber a insistência do Governo na medida. Remodelada, calibrada, modulada, acrescida, parcialmente diminuída, seja como for, apesar da crise política que está a provocar, continua sobre a mesa.

Vejamos melhor: quase toda a gente está contra, mas nem toda a gente se pronunciou.
Os principais banqueiros do país, habituados a comentar qualquer nova medida de política económica, financeira e fiscal, mantém silêncio sobre esta matéria. A excepção foi José Maria Ricciardi, presidente executivo do BES Investimento, que elogiou a medida em declarações feitas fora do país.

Entre as grandes empresas do chamado sector de bens e serviços não transaccionáveis, a atitude é de discrição. Só o presidente executivo da EDP falou em público sobre a medida, para a elogiar e sugerir que, em contrapartida, até pode baixar os preços da electricidade. Mas não disse que vai criar novos empregos, principal razão invocada por Passos Coelho e Vítor Gaspar para justificar a alteração da TSU.

Enquanto a polémica sobe de tom, a SIC dá conta de que o grupo Caixa Geral de Depositos vai ter de registar ainda mais imparidades em 2012 do que no ano passado, acima de 1,2 mil milhões de euros. Os resultados líquidos do banco público, no final do ano, arriscam-se a ultrapassar os 400 milhões de euros de prejuízo de 2011. Mas não é só este grupo que está a ser afectado pelo aumento das imparidades. A SIC confirmou junto de fontes altamente colocadas no sector bancário que os principais bancos portugueses vai ter de reconhecer mais imparidades ainda este ano e também em 2013. Boa parte devida à compra de acções na bolsa cujas perdas ainda não foram completamente reconhecidas; Outra parte devida a apostas em investimentos imobiliários que entretanto perderam parte substancial do valor que ainda está contabilizado. Só no Algarve, as perdas a reconhecer poderão atingir vários milhares de milhões de euros…

Neste cenário, poderia encarar-se o recurso a novas ajudas aos bancos, directamente pelo Estado e através da reserva de 12 mil milhões de euros disponibilizada no âmbito do Programa de Assistência Financeira para a recapitalização da banca. Mas se este já foi um processo tão traumático para os actuais accionistas, que tentaram condicionar a entrada de representantes do Estado e as regras impostas pelo financiador público, porque não pensar em alternativas?

Voltemos então à proposta para a alteração da TSU, que a esmagadora maioria dos portugueses continua a não entender.

Os trabalhadores sofrem um aumento de 64 por cento da taxa de desconto para a Segurança Social – que sobe de 12 para 18 por cento, garantindo uma receita de 2.800 milhões de euros. As empresas beneficiam de um cheque imediato de 2.300 milhões de euros de devolução desta receita, com a baixa da taxa de 23,75 para 18 por cento. Todas as empresas beneficiam. As que exportam e as que não exportam, as que enfrentam a concorrência e as que estão em mercados protegidos. Praticamente nenhuma vai criar emprego, já o disseram. E as empresas orientadas para o mercado interno vão enfrentar uma queda ainda maior da procura dos seus bens e serviços.

Mas há, de facto, um efeito em cascata que é preciso considerar.

Com algum dinheiro em caixa, as micro e pequenas empresas que já estão em risco, evitam fechar portas mais cedo. Poderão ir à falência, mas um pouco mais tarde. Os créditos à banca poderão continuar a ser pagos por mais algum tempo…o mal - parado bancário continuará a subir, mas menos.

As médias empresas terão também mais algum tempo para respirar. Algumas adiam a falência, outras aguentam o negócio… outras até juntam alguns milhares de euros e, com esforço acrescido, até pagam antecipadamente algumas responsabilidades à banca. Dinheiro muito importante para o sistema financeiro – mais liquidez, menos mal-parado, menos imparidades a reconhecer e contabilizar…

O mesmo para as grandes empresas. Com mais alguns milhões nos cofres, continuam a garantir o pagamento das responsabilidades à banca, até aceleram alguma amortização…dinheiro precioso para o sistema financeiro.

Neste quadro, as alterações à TSU, parecem começar a fazer sentido.

A lógica não é económica, não é de finanças públicas, não é do sistema de previdência e de protecção social, não é de justiça social - é a perspectiva do sistema financeiro. O dinheiro gerado pela medida acaba por afluir ao sistema como se fosse através de um funil aplicado a toda a economia. Mesmo o que não aflui, fica no circuito e impede que o tecido económico apodreça mais rapidamente em alguns sectores e unidades de negocio. Isto é, a medida ou dá liquidez ou adia mal – parado.

Tem lógica. Poderá explicar muita coisa que aparentemente não fazia sentido.
E agora, a medida vista assim é necessariamente má?Não.

O sistema financeiro é o coração da economia de mercado, que por sua vez sustenta as democracias politicas em que vivemos.

Não temos outro sistema alternativo - conhecemos outro, o de planificação, mas não o queremos, jamais o quereremos de regresso. Temos é de melhorar este.

Os nossos banqueiros fizeram alguns erros? Fizeram.

Tiveram um papel decisivo para o crescimento de Portugal nas últimas décadas, na maior parte dos casos potenciando a melhor aplicação de recursos financeiros? Sim, sem dúvida. Não tomemos a árvore pela floresta.

Os nossos bancos e banqueiros merecem ser ajudados? Merecem. Tudo deve ser feito para evitar desequilíbrios do sistema financeiro que podem aparecer com o agravar da crise económica.

Mas a melhor maneira de ajudar será através do aumento da TSU para os trabalhadores e da devolução às empresas?

Pode garantir um alívio a curto prazo, mas pode agravar a situação de todo o país a médio e longo prazo…

Mas se a medida foi tomada, entre outras razões como forma de ajudar indirectamente o sistema financeiro, porque é que o Governo não explicou claramente este objectivo aos portugueses?

Se era isto, devia tê-lo explicado com toda a clareza.

Se não era isto, então o que era?


Por José Gomes Ferreira

artigo publicado aqui


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Como alguns aprenderam economia

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Ben Bernake quando era criança




                                       


O disco começa a arranhar

'Ninguém na Fed sabe como resolver a crise'

A Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) «não sabe o que deve fazer» para tirar a economia norte-americana da crise, afirmou na quarta-feira um dos seus dirigentes, Richard Fisher.
«A verdade é que ninguém no seio do Comité [de Política Monetária da Fed, o FOMC] sabe realmente o que está a travar a economia», afirmou Fisher, num discurso em Nova Iorque, cuja transcrição foi distribuída à imprensa.

notícia aqui


Lição rápida sobre comunismo





Citação do dia




Menos socialismo


Portugal já não é socialista que chegue?

- impostos » elevado
- peso do estado » elevado
- dívida » elevada
- função pública » elevada
- desemprego » elevado
- falências » elevada
- pobreza » elevada

Para quê então andar por aí a pedir mais socialismo com estes resultados?

A melhor ciência económica comprova que o socialismo é uma via para o fracasso.

IN NOMINE PATRIS, ET FILII, ET SPIRITUS SANCTI.

Amen

E está tomada a bença em Berlim:


 Schauble diz que “uma das razões da esperança” que tem em Portugal “é ter Gaspar como ministro”.


notícia aqui



O conselho de estado que se prepare porque quem manda e desmanda é o Gaspar.




quarta-feira, 19 de setembro de 2012

E a manifestação foi assim...



UE a 27 exporta mais


Calcanhar de Aquiles da União Europeia continua a ser a dependência energética do exterior.


notícia aqui






Conversor de escudos


100 Escudos em 1960 equivalem a 24,74 €
100 Escudos em 1970 equivalem a 19,13 €
100 Escudos em 1980 equivalem a 4,51 €
100 Escudos em 1990 equivalem a 1,00 €
100 Escudos em 2000 equivalem a 0,62 €
100 Escudos em 2010 equivalem a 0,50 €

Conversor Pordata


Soares dixit

encontrado on-line:

Na senda de Salazar (parte 12)

OS GRANDES PROBLEMAS NACIONAIS E O SEU ESCALONAMENTO NECESSÁRIO (1928).  

Discurso aos oficiais da Guarnição Militar de Lisboa, em 9 de Junho



"Estamos hoje numa situação má. Di-lo toda a gente e era escusado: na vida individual, na qualidade e na pública as dificuldades que dessa má situação resultam sentem-se, palpam-se, todos nós lutamos com elas.

Vamos relacionar, para melhor ajuizarmos, todo este mal-estar, com quatro problemas fundamentais: o financeiro, o económico, o social e o político. Pu-los por esta ordem e isso não foi arbitrário da minha parte; esta simples disposição revela uma orientação definida.

 È certo que não é possível fazer boas finanças sem boa política: que uma finança sã requer uma economia próspera; que a questão social; agravada por sua vez, prejudica os problemas financeiros e económicos. 

Mas, porque não podemos resolvê-los todos de uma só vez, necessário é discutir e assentar na ordem e solução. Essa ordem será indicada, na interdependência das causas e dos efeitos dos problemas, em harmonia com a causa dominante. É sabido que as emissões exageradas desvalorizam a moeda. E o que è essa desvalorização? É o metro elástico introduzido na vida económica. Suponhamos um comerciante a vender com um metro elástico. Acontecia que umas vezes ficava roubado o freguês e outra seria prejudicado o comerciante. Pois as altas e baixas das moedas opera delapidações semelhantes. Com uma moeda instável não há economia que vingue e possa prosperar. Por este processo se tornou o Estado o grande inimigo da economia nacional.

Atravessamos uma grave crise económica, cujas principais causas foram essa instabilidade monetária, a alta dos juros do dinheiro e a escassez provocada pela desvalorização da moeda, que ao mesmo tempo que opera na sociedade transferências de fortunas, consome em geral grandes somas de capitais. O comércio e a indústria tiveram durante algum tempo disponibilidades enormes: parecia que os comerciantes não acabavam de enriquecer. 

Todas as empresas pareciam prósperas; afinal muitos vieram a verificar que se tratava de riqueza ilusória e estavam na verdade empobrecidos: tinham distribuído e gasto o seu próprio capital. Salvaram-se das despesas apenas aqueles que em dada altura conseguiram converter os lucros em valores estáveis. 

E o Estado, que perdeu muito, ganhou também alguma coisa – a diminuição da sua dívida corresponde ao valor em que lesou os seus credores.

Todos estes males têm somente uma cura – a estabilização da moeda, e esta é impossível. Independentemente da solução do problema financeiro. Da não resolução do problema financeiro e económico resultou como não pode deixar de ser, graves perturbações sociais.

O problema social é o problema da distribuição de riqueza, que não tem solução vantajosa sem o aumento da produção. Salvo o caso de parasitismos económicos, que devem ser evitados e corrigidos, só o aumento de riqueza pode favorecer a solução da questão social. 

Finalmente, o problema político. Andamos há muitos anos em busca de uma fórmula de equilíbrio e ainda não conseguimos encontrá-la.

É como se diz que “em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão”, as soluções políticas são mais difíceis estando agravados os problemas financeiro, económico e social. Não há mesmo formas políticas que satisfaçam uma sociedade em que aqueles problemas estão a reclamar urgente solução, porque a verdade é que encontrar a fórmula de equilíbrio depende da organização prévia das diferentes forças económicas e sociais."