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segunda-feira, 30 de julho de 2012

O fantasma do corte dos salários



Quando a Grécia entrou para a zona euro, 90 fábricas operavam num parque industrial desta cidade costeira. Agora apenas 26 estão ativas.

O declínio industrial da planície litorânea no norte da Grécia explica como a moeda comum agravou os problemas econômicos de países do sul da Europa, e mostra por que as cúpulas de emergência de líderes políticos não podem sozinhas resolver a crise de região.

A Grécia, como outros membros da União Europeia que agora precisam de ajuda financeira, lutou para competir no mercado europeu e global à medida que o crédito barato e problemas estruturais inflacionavam os preços e salários mais rápido do que seu leque de produtos pudesse justificar. Agora, sem uma moeda nacional para desvalorizar e tornar suas exportações mais baratas, o país não tem escolha a não ser embarcar numa desgastante "desvalorização interna" que derrubará salários e preços.

"Quando nós nos unimos à Europa, graças à moeda única, muitos pensaram que éramos todos uma única economia", diz Dimitris Petsas, cuja fábrica de roupa íntima é uma das poucas sobreviventes em Komotini. "Nós esquecemos que temos que exportar ativamente para trazer os euros da Alemanha e Europa Central para a Grécia." Em vez disso, disse ele, "os países centrais nos deixaram sem nada".

Petsas está pressionando seus trabalhadores a aceitar reduções salariais de até 30% para ajudar a empresa a cortar custos e revitalizar suas exportações de camisetas e cuecas para a Alemanha, em meio à crescente concorrência da China e da Índia. O problema, diz o empregador de 60 anos, é que "a maioria dos funcionários tem obrigações, hipotecas, empréstimos de carro e se eu pagar menos, eles não poderão sobreviver".

Grécia, Espanha, Portugal e Itália enfrentam o mesmo caminho difícil para a recuperação seguido pela empresa de Petsas. Eles precisam reduzir os salários e os preços, ao mesmo tempo em que trabalham para pagar suas dívidas públicas e privadas.

O novo governo grego está à procura de novos cortes de gastos antes de uma visita de inspetores da União Europeia, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu a Atenas esta semana. Espera-se também que as autoridades anunciem a fusão ou o fechamento de cerca de 20 agências governamentais.

Nas economias desenvolvidas, os salários tendem a cair somente através de uma recessão prolongada e desemprego elevado e, mesmo assim, isso só ocorre muito lentamente. Na Grécia, os protestos contra este empobrecimento gradual levaram o país à beira da ingovernabilidade.

Como se isso não bastasse, quanto mais a renda cai e a economia encolhe em países em crise, menor é a confiança do mercado na sua capacidade de pagar, resultando em um aumento da fuga de capitais dos bancos e dos mercados de títulos de dívida soberana.

Caso a zona do euro termine se desintegrando, a razão mais profunda não será a falta de disciplina fiscal ou tensões políticas. Será porque a adesão ao euro por países em dificuldade, juntamente com a abordagem da Alemanha com relação a sua própria economia, os colocam numa rota de recuperação que alguns economistas consideram ser social, política e financeiramente quase impossível.

Assim, o ônus do ajuste recai principalmente sobre o endividado sul da Europa e trabalhadores como Koutsoula Voula, uma operária de 50 anos que trabalha há 28 na fábrica de Petsas. Seu salário caiu para um nível que mal dá para pagar a hipoteca e ela teme novos cortes. "Quanto mais? Como vou pagar as contas?", pergunta ela, lamentando que "não existe outro emprego".

Koutsoula e o marido, um professor aposentado, cuja pensão foi drasticamente reduzida, têm um plano de contingência: se sua renda continuar a cair, vão vender o imóvel onde moram e passarão a ser agricultores de subsistência no terreno de menos de meio hectare que têm na zona rural perto do mar, onde cultivam tomates e pêssegos e criam coelhos.

As empresas e os sindicatos que lutam contra as reduções salariais na Grécia argumentam que elas reverteriam uma longa espiral inflacionária. Os sindicatos estão ameaçando uma nova onda de greves que pode reacender as grandes manifestações que abalaram a política do país antes das tumultuadas eleições em maio e junho.

Em fevereiro, os principais credores da Grécia, juntos com o FMI e a UE, forçaram o governo a reduzir o salário mínimo nacional em 22% e, no caso dos jovens, até 32%.

O FMI e a UE estavam frustrados pela lentidão com que os salários gregos caíam, embora o desemprego estivesse em torno de 22%. As duras medidas de austeridade reforçaram o apoio dos eleitores aos partidos que se opõem ao rígido resgate internacional.

Como outros trabalhadores de um resort turístico de luxo financeiramente abalado em Porto Carras, na península de Halkidiki, no norte da Grécia, o supervisor de casino Giorgos Toumpas trabalha meio período, porque o negócio vai mal. Sua renda mensal, que costumava ser de 1.200 euros depois de impostos, caiu. "Nós estamos derramando sangue para manter o negócio vivo", lamenta o trabalhador, que é líder sindical dos empregados da indústria do turismo. "Quanto mais sangue eles querem?".

Toumpas acumula vários meses de atraso nos pagamentos da hipoteca, mas disse ao banco que espera pôr tudo em dia neste verão, quando esperava trabalhar mais horas. "O banco concordou", disse ele. "Mas o que mais eles podem fazer? Se eles tomarem todas as casas da Grécia, para quem eles vão vendê-las?". Os novos cortes deixarão a ele e à sua esposa, que é caixa em um dos restaurantes do resort, numa situação ainda mais precária. "Não vejo futuro neste lugar", diz ele.

Os salários na maior parte da economia grega diminuíram um pouco desde o início da recessão no fim de 2008. Mas de acordo com a UE e o FMI, a desvalorização interna tem um longo caminho pela frente antes de a Grécia ser suficientemente competitiva para iniciar uma recuperação liderada pelas exportações.

As estimativas de quanto aos preços devem cair na periferia da zona euro em relação aos membros mais fortes variam. Economistas estimam que Grécia e Portugal enfrentam o maior desafio, enquanto que Espanha e Itália precisam de ajustes menores, mas igualmente dolorosos.

Para Petsas, o fabricante de roupas íntimas, a vida na zona do euro tornou-se uma luta entre os países para ver quem consegue atrair mais euros um do outro.

O fim do crédito fácil significa que os gregos não têm escolha a não ser exportar mais e importar menos. Isso não deixa outra escolha a não ser reduzir os salários, diz ele. "Se quisermos que as nossas fábricas continuem aqui, isso tem que mudar".



artigo publicado aqui







A vontade alemã

Maioria dos alemães acredita que o país teria a ganhar em estar fora do euro.


notícia aqui



quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pânico na Europa



Artigo publicado no Instituto Mises Brasil


Por Gary North,


É a primeira vez em minha carreira que vejo o establishment internacional, algumas vezes chamado de Nova Ordem Mundial, a lidar com uma crise tão grande que sua própria sobrevivência está em risco.  Pela primeira vez, essa gente está assustada.


Não há muitos deles.  Em seu livro Superclass, o autor David Rothkopf estima que haja por volta de apenas 6.000 pessoas no topo da pirâmide do poder mundial.  São maioritariamente homens, e pelo menos um terço deles frequentou as mais prestigiosas universidades americanas.  Os outros frequentaram universidades europeias de comparável qualidade.

A crise na Europa está claramente além de qualquer coisa que esta atual geração da elite governante já vivenciou.  Na última vez que algo parecido a isso desafiou o establishment europeu, a coisa descambou na Segunda Guerra Mundial.

Durante todo o período do pós-guerra, os EUA foram a força dominante no Ocidente.  O governo americano, por meio do Plano Marshall, assinou os cheques que mantiveram os governos europeus solventes, bem como financiou grande parte da OTAN, o sistema de defesa que havia sido criado para conter a expansão da União Soviética.

Mas os EUA hoje não mais estão em posição de socorrer ninguém.  O país tem um enorme déficit comercial e seu governo federal está incorrendo em um trilionário déficit orçamentário.  A Europa já percebeu que, do ponto de vista econômico, terá agora de se virar por conta própria.  Se existem soluções para a crise económica europeia, tais soluções terão de ser concebidas dentro da zona do euro.


Bancos em risco

Hoje, todo o sistema bancário europeu está em risco.  Os bancos, além de estarem altamente alavancados, investiram maciçamente em títulos emitidos por governos que hoje estão tecnicamente insolventes.  Não há nenhuma possibilidade de estes títulos serem quitados algum dia.  Eles não foram concebidos para ser quitados.  Eles foram concebidos para manter os pagadores de impostos de todos os países europeus em estado de permanente servidão em relação ao sistema bancário.

No entanto, em uma completa e inesperada reviravolta, os bancos se encontram hoje cada vez mais dependentes dos governos.  Os governos são hoje os emprestadores de penúltima instância para os bancos comerciais.  O banco central, é claro, é o emprestador de última instância.  Só que, até o momento, o Banco Central Europeu vem  a assumir uma posição neutra.  Ele não quer tomar nenhuma medida para socorrer Grécia, Espanha ou Itália.

Os governos dos PIIGS, que venderam títulos da sua dívida para os bancos dos países ricos da Europa, estão tecnicamente insolventes.  Quando a Grécia der o calote — e ela fará isso —, alguns bancos dos países ricos da Europa terão enormes prejuízos.  Quando a Espanha der o calote — e ela fará isso —, os prejuízos serão ainda maiores.  Quando a Itália der o calote — e ela fará isso —, todo o sistema bancário europeu entrará em colapso. 

Apenas duas coisas podem hoje salvar o sistema bancário europeu: o Banco Central Europeu, que tem o poder de criar dinheiro do nada, e os pagadores de impostos da Alemanha, cujos líderes nacionais são resolutos em seu desejo de expandir o poder da zona do euro por toda a Europa.  Estes políticos estão dispostos a utilizar o dinheiro dos cidadãos alemães com o intuito de ampliar esta consolidação.

Uma corrente de dívidas

O problema é que os governos dos países ricos da Europa não têm dinheiro para servir de emprestadores à Grécia, à Espanha e à Itália.  Estes três países estão hoje a receber dinheiro emprestado a juros até então nunca vistos na Europa em períodos de paz.  A esperança atual é que os governos dos países ricos intervenham e emprestem dinheiro para o governo grego.  O problema é que todos os governos dos países ricos também estão tendo de lidar com a responsabilidade adicional de ser os emprestadores de penúltima instância para os grandes bancos comerciais dentro de suas próprias fronteiras.

Quem irá emprestar dinheiro para os governos dos países ricos da Europa para que estes socorram os governos do sul da Europa?  Quais emprestadores acham que isso seria uma boa ideia?  Às taxas de juros atuais, não muitos.  É por isso que os juros subirão.  Porém, quando as taxas de juros de longo prazo subirem, tal fenômeno irá reduzir o valor presente de todos os títulos em posse dos emprestadores.

Portanto, de um lado, os investidores terão de arrumar dinheiro para emprestar para os governos, e os governos necessitam deste dinheiro para recapitalizar os bancos dentro de suas fronteiras.  Isso nos leva ao próximo problema: para os emprestadores emprestarem dinheiro para um governo, eles têm de tirar esse dinheiro de suas contas bancárias.  O que irá acontecer se seus bancos quebrarem?  Quem irá emprestar dinheiro para os governos?

Sendo assim, nesta corrente de dívidas, de dinheiro fiduciário e crédito, o Banco Central Europeu é o emprestador de última instância.  Ele é o emprestador de última instância porque possui a autoridade legal de criar dinheiro do nada.  Ele pode comprar títulos emitidos pelos governos e pode também emprestar dinheiro aos bancos para que os bancos subsequentemente comprem títulos dos governos.

Ajuste de contas

Todo o sistema político que conhecemos como União Europeia é dependente de um sistema bancário de reservas fracionárias que se expandiu de forma exagerada e que hoje enfrenta um juízo final.  Na realidade, enfrenta dois juízos finais.

Primeiro, haverá um juízo final nos PIIGS quando os correntistas sacarem seu dinheiro.  O segundo juízo final será imposto pelos governos insolventes que já tomaram emprestado centenas de bilhões de euros dos bancos.

A iminência de uma corrida bancária ameaça a capacidade do governo grego de continuar tomando dinheiro emprestado de qualquer pessoa ou entidade.  O governo grego depende do sistema bancário grego para coletar impostos.  Se o sistema bancário grego quebrar, o governo grego quebra.

Neste arranjo, somente o Banco Central Europeu possui a autoridade para salvar o sistema.  Qualquer outra potencial fonte de euros depende em última instância da solvência do sistema bancário europeu.  Se o sistema bancário europeu quebrar, não haverá emprestadores.  E são exatamente os bancos que estão em risco atualmente.

É por isso que todo e qualquer sistema bancário de reservas fracionárias depende, em última instância, do monopólio concedido pelo governo a um banco central.  O banco central é, acima de tudo, o garantidor da solvência dos grandes bancos.  O banco central é o agente económico dos grandes bancos comerciais.  Estes estão hoje na iminência de quebrar.  O alto escalão destes bancos não possui nenhum conhecimento básico de economia.  Eles emprestaram dinheiro para os PIIGS.
Neste cenário, a única maneira de salvar o sistema é arriscar-se a destruí-lo.  A única maneira de salvar o euro é se arriscando a destruí-lo.  E é assim porque há apenas duas maneiras de se salvar os grandes bancos comerciais.  A primeira maneira é pela hiperinflação.  Isso irá permitir que os bancos mantenham suas portas abertas.  Um acentuado aumento da quantidade de dinheiro na economia fará com que os tomadores de empréstimo consigam quitar suas dívidas vendendo um punhado de ativos, o que lhes dará dinheiro suficiente para quitar seus empréstimos.  Mas tudo isso será feito com euros que já não valerão nada.

A segunda maneira de salvar os bancos, que é a que o Banco Central Europeu está tentando fazer, é evitar a hiperinflação mas inflacionar a oferta monetária somente até um ponto que permita que os maiores bancos possam ser salvos.  Isso ocorreria por meio de empréstimos a juros baixos concedidos aos bancos pelo Banco Central Europeu.  Os bancos, por sua vez, para serem capazes de quitar este empréstimo recebido, terão de emprestar este dinheiro a juros maiores — mas será difícil encontrar tomadores de empréstimo ainda solventes e será difícil encontrar muitas pessoas dispostas a se endividar.

Se o Banco Central Europeu adotar esta segunda abordagem, isso irá levar o continente a uma depressão.  O BCE inflacionou.  Os bancos comerciais emprestaram dinheiro para governos insolventes.

  Estes governos irão dar o calote caso haja uma recessão.  Porém, caso se negue a inflacionar ainda mais a oferta monetária, o Banco Central Europeu produzirá uma recessão.  Não há saída.  O boom que o BCE gerou na Europa durante os anos de Greenspan na presidência do Fed estourou nos bancos europeus, exatamente como o boom nos EUA estourou nos bancos americanos.

Não há uma agência governamental responsável por garantir os depósitos do sistema bancário europeu.  Não há nenhum governo que possua os ativos ou a autoridade legal para emprestar para um ou para todos os governos da região.  Não há um sistema fiscal comum, o que significa que todos os governos podem incorrer em vultosos déficits orçamentários.  Sendo assim, em tempos normais, os governos estão em constante concorrência entre si para conseguir dinheiro emprestado para financiar seus déficits.

Portanto, o sistema foi forçado até seu limite.  Os poucos emprestadores remanescentes que ainda possuem capital e que ainda têm dinheiro suficiente em seus bancos para emprestar para governos insolventes estão hoje se recusando a conceder estes empréstimos.  É por isso que a Espanha está a pagar 7,5% para convencer os emprestadores a lhe darem dinheiro.  Emprestadores que caírem nessa irão terminar como os tolos que emprestaram dinheiro para o governo grego antes de 2010.  Eles verão o valor de seus papeis ser dizimado quando os juros espanhóis subirem para os dois dígitos, o que ocorrerá a menos que o Banco Central Europeu intervenha, imprima dinheiro e empreste para o governo espanhol.

Não há dispositivo de proteção

Os líderes do establishment europeu nunca tiveram de lidar com uma crise em escala semelhante a esta.  Eles falam incessantemente sobre a necessidade de se criar dispositivos de proteção.

Mas que tipo de dispositivo de proteção seria capaz de impedir que o calote de um governo se torne um calote de outro governo?  Que dispositivo de proteção pode haver para um grande banco multinacional que acabou de perder metade do valor dos títulos que havia comprado a uma taxa de juros de 3%, agora que os juros foram para 7,5%?  Sempre que a taxa de juros dobra, o valor de mercado dos títulos cai 50%, no mínimo.

Não há dispositivo de proteção.  O sistema financeiro europeu é todo interligado pelo euro.  Todos utilizam a mesma moeda em 17 países.  Todos dependem do mesmo Banco Central, e este banco não está exercendo liderança.  O presidente do banco diz que os governos têm de lidar com os problemas e assumir responsabilidades.  Sempre que ele diz isso, lembro-me de que Ben Bernanke continuamente diz a mesma coisa ao Congresso americano.

Os presidentes dos dois maiores bancos centrais do mundo estão reclamando que os políticos têm de assumir a responsabilidade pela resolução da crise.  Mas isso é exatamente o que os políticos não querem fazer.  Os políticos sempre entenderam que o banco central os socorreria em caso de crise, simplesmente a criar dinheiro e a comprar os títulos da dívida de seus governos.  Esta sempre foi a justificativa pública para a existência de bancos centrais.

Mas os políticos parecem cegos quanto ao real motivo da existência de bancos centrais, a saber: socorrer os grandes bancos comerciais sob sua jurisdição.  E o Banco Central Europeu tem de lidar com um enorme problema: ele tem sob sua jurisdição os maiores bancos de todos os países da zona do euro.  Ele tem de intervir para salvar qualquer grande banco sob sua jurisdição, pois, se não o fizer, haverá corridas bancárias naquele país.

Uma corrida bancária

Depositantes europeus podem ir até seus bancos e transferir seu dinheiro para um banco que esteja em outro país.  Normalmente, eles transferem para um banco alemão.  Legalmente, o banco recebedor pode se recusar a aceitar este novo depósito; mas qual banco ousaria não aceitar novos depósitos?

Qualquer banco que dissesse não mais estaria a aceitar depósitos de algum outro banco iria enviar para a media um sinal de que este outro banco está no limiar da insolvência.  E isso é a última coisa que qualquer banco de um país rico da Europa quer fazer com qualquer banco da Grécia, da Espanha ou da Itália.

O Banco Central Europeu está sentado sobre um barril de pólvora.  O rastilho já foi aceso.  Este rastilho está conectado ao sistema bancário grego.  Se o sistema bancário grego explodir — o que, na prática, significa implodir —, tal fenómeno irá acender outro rastilho.  O outro rastilho leva à Espanha.  Posso estar errado.  Pode haver dois rastilhos, um para a Espanha e o outro, para a Itália.

Não há dispositivo de proteção.  O único dispositivo de proteção seria os bancos dos países ricos se recusarem a aceitar novos depósitos de pessoas que estão fechando suas contas em bancos do sul da Europa.  Mas se as corridas bancárias na Grécia não forem interrompidas, o governo grego irá dar o calote em sua dívida e irá sair da zona do euro.  Ele não terá escolha.  Se seus bancos estão quebrados, como ele conseguirá financiar sua dívida?  Como ele irá coletar impostos?

Já dá pra ver o que está em jogo aqui.  Uma corrida bancária em pequena escala vem ocorrendo há pelo menos um ano na Grécia, e ela agora ameaça se tornar uma corrida bancária em escala total.  Os bancos dos países ricos podem legalmente se recusar a aceitar novos depósitos em euro dos correntistas que estão saindo da Grécia.  Mas todos eles teriam de fazer isso de uma só vez.  Se apenas um ou dois grandes bancos dos países ricos se recusarem a aceitar novos depósitos de gregos, isto irá enviar um sinal para todos os outros gregos: "É melhor vocês tirarem seu dinheiro dos bancos, e rápido!  Coloque-o em um banco de um país rico antes que eles comecem a recusar novos depósitos".  A corrida bancária irá se intensificar.

Como nem todos os bancos estão sob as mesmas leis bancárias, e como nenhuma agência reguladora pode lhes dizer o que fazer, a Europa possui um sistema no qual os correntistas dos PIIGS podem livremente gerar maciças corridas bancárias contra os bancos de seus próprios países, deixando-os na lona.

Não há dispositivo de proteção contra isso.  As corridas bancárias já começaram na Grécia.  Bancos fora da zona do euro podem recusar-se a aceitar novos depósitos, mas os bancos dentro da zona do euro não podem fazer isso sem ameaçar a solvência de todo o sistema bancário.  Adicionalmente, se eles não criarem um dispositivo de proteção, a quebra de bancos da Grécia, da Espanha e da Itália levará seus respectivos governos à insolvência.  E isso, por sua vez, gerará volumosos prejuízos para os bancos dos países ricos da Europa. Tudo está interligado.

Não se encontra uma discussão aprofundada sobre isso na grande media, e por uma boa razão: a grande media teme ser acusada de provocar uma corrida bancária na Grécia.  Todo mundo sabe que uma corrida bancária grega já começou, mas isso não é notícia de capa nos jornais.  Certamente não é uma história a ser coberta nos jornais televisivos.  Nenhuma grande rede de televisão irá falar sobre a corrida bancária grega enquanto esta ainda não estiver em seu estágio terminal.

Logo, as pessoas que gerenciam a nova ordem europeia apenas jazem quietas, impotentes e completamente dependentes das decisões tomadas pelos correntistas dos bancos gregos.  A qualquer momento, uma onda de pânico pode se espalhar por toda a Grécia, e um grande número de depositantes irá fazer fila em frente aos bancos para retirar seu dinheiro.  Se eles sacarem dinheiro vivo, isso irá quebrar o banco local, o qual terá de vender ativos para comprar moeda do Banco Central Europeu a fim de entregar o dinheiro para os seus depositantes.  Este tipo de corrida bancária é péssima para um determinado banco, mas tende a não gerar grandes efeitos sobre todo o sistema bancário porque estas pessoas irão inevitavelmente gastarem o dinheiro que levantaram; e, ao fazerem isso, as empresas que receberem este dinheiro irão tornar a depositá-lo em seus bancos.  

Sendo assim, uma corrida bancária com o objetivo de sacar dinheiro vivo não representa uma enorme ameaça para o sistema bancário grego como um todo.

No entanto, pode também haver uma corrida bancária na forma de transferência eletrónica de dinheiro para fora do país.  E é justamente esta ameaça que todos os bancos gregos estão enfrentando atualmente.  Neste caso, quando os euros saem do sistema bancário grego, eles não voltam a ser depositados no sistema bancário grego.  Eles vão para o sistema bancário de outro país.

Estamos a testemunhar hoje o colapso do sistema bancário grego.  A menos que o Banco Central Europeu intervenha novamente, não haverá um sistema bancário grego até o final deste ano.  Todos os bancos estarão quebrados.

E não há nada que os eurocratas possam fazer a este respeito.  A única agência que tem o poder de interromper todo este processo é o Banco Central Europeu, que pode fazer o que quiser.  Em última instância, ele pode emprestar dinheiro aos bancos gregos aceitando em troca qualquer colateral que estes oferecerem — no caso, majoritariamente títulos emitidos pelo governo grego.

Conclusão

Ângela Merkel pode espernear, gritar e se contorcer até ficar azul.  O fato é que, em última instância, ela não tem poder algum sobre o Banco Central Europeu.  Em última instância, nenhum político tem poder sobre a instituição.  E nenhum político quer realmente ter poder sobre o BCE.  E por que não?  

Porque tal político inevitavelmente seria o responsável por arrumar o dinheiro que o BCE supostamente iria imprimir, mas foi impedido por este político.

É por isso que o BCE irá inflacionar.  O presidente da instituição pode falar o quanto quiser sobre a necessidade de políticos assumirem suas responsabilidades e sustentarem o atual arranjo do euro; porém, no final, ele será o sustentáculo do sistema.  Ele é o sujeito que detém o controle da impressora de dinheiro.  Ele é a única pessoa, junto com seus colegas, que está em posição de manter o sistema solvente.

Não há dispositivo de proteção.  Há apenas a capacidade do Banco Central Europeu de imprimir dinheiro e de emprestá-lo para os bancos comerciais ou diretamente para os governos.  Não importa quais são as regras ou regulamentos vigentes que supostamente proíbem isso.  A coisa terá de ser feita.

No meio de um incêndio, ninguém no poder irá apontar o dedo para o Banco Central Europeu quando este intervir com o intuito de socorrer um governo que esteja prestes a dar o calote em suas dívidas.  

O motivo é claro, ou ao menos para mim parece claro: nenhum político quer ser o responsável por arrumar o dinheiro necessário para socorrer os grandes bancos de seu país — todos os quais estão ameaçados de insolvência por causa dos calotes dos governos da Grécia e da Espanha —, pois isto irá produzir um efeito dominó causado por todos os governos dos PIIGS.


Plano B para a Grécia

Para que Atenas permaneça no euro, poderá ser necessário um segundo desconto na dívida da Grécia, defende um deputado da CDU, Norbert Barthle. Este é o primeiro responsável a admitir a necessidade de uma nova reestruturação da dívida.


notícia aqui




Aqui no blog somos a favor deste tipo de medidas. Preferimos a reestruturação à impressão. E é sempre preferível criar uma onda de choque controlável ao caos imprevisível.


Agora a Grécia que cumpra com o acordo, tal como Portugal.  Portugal cumprindo o acordo pode vir a ter mais tarde 1/3 da sua dívida descontada sem problema algum.












terça-feira, 24 de julho de 2012

Cenários


Rajoy discute cenários de crise extrema

Um resgate total, a declaração de bancarrota ou a saída do euro têm estado em cima da mesa do Governo de Mariano Rajoy, segundo o jornal "El Confidencial

Face às más notícias vindas da frente da emissão de dívida pelo Tesouro Público nas últimas semanas (incluindo hoje de manhã) e à subida contínua das yields (juros) das obrigações espanholas no mercado secundário, o gabinete de Mariano Rajoy teria em cima da mesa do seu gabinete de crise três cenários: um plano de resgate "total" (e não "sectorial") similar aos realizados para a Grécia, Irlanda e Portugal; a suspensão do pagamento da dívida (um evento de crédito); e a saída do euro, segundo o jornal espanhol "El Confidencial".

Alguns destes cenários extremos são manobras de pressão política sobretudo junto da Alemanha e do Banco Central Europeu (BCE).

primeiro cenário de resgate "total" chutaria a fatura do "apoio" europeu de "até 100 mil milhões" (verba de empréstimos por tranches aprovada no caso do plano sectorial de resgate à banca espanhola, cujo memorando de entendimento é já conhecido) para "mais de 500 mil milhões, um montante exorbitante". Na cascata de contágio seguir-se-ia Itália e uma posição dos países com notação triplo A para a rutura da zona euro.

segundo cenário esgrime a palavra maldita - default (incumprimento). Segundo o "El Confidencial", seria uma forma de pressionar a Alemanha e o BCE. O arrastamento da situação no campo da aplicação de decisões na zona euro torna este cenário como "plausível", apesar de implicar "uma imagem tremendamente negativa do país que faria disparar o prémio de risco para níveis impensáveis". O tempo crítico é agosto e setembro. "Para além" destes meses, o cenário de pesadelo começa.

terceiro cenário é o de saída ou rutura da zona euro. Ou por decisão unilateral espanhola, ou porque a Alemanha e seus aliados o imporiam. "Num primeiro momento teria consequências desastrosas, mas devolveria a autonomia para realizar as nossas políticas e poder sair da crise antes do previsto", é a lógica deste cenário extremo, segundo as fontes ouvidas pelo jornal espanhol.
Luis de Guindos está hoje na Alemanha para conversações com o homólogo alemão, o ministro das Finanças Wolfgang Schauble, e Mariano Rajoy reúne-se com Mário Monti no dia 2 de agosto. Rajoy tem estado em contacto permanente com François Hollande, o presidente francês, segundo "El Confidencial".

Resgate "macio" 

A par do pacote "sectorial" de resgate à banca espanhola (já definido em Memorando de Entendimento), o Governo de Mariano Rajoy pretende pressionar o BCE para reabrir o programa de aquisição de divida no mercado secundário (conhecido por programa SMP), tentando, por essa via, inverter o disparo das yields das obrigações espanholas acima de 7%, e convencer a Alemanha a acordar um "plano de resgate total, mas macio", segundo o jornal espanhol "El Economista".
Este plano adicional que se traduziria em "uma linha de crédito temporária" destinar-se-ia a financiar os 28 mil milhões de euros de dívida espanhola que vencem em outubro e que, aos níveis atuais indicativos no mercado secundário, se tornaria insustentável.

notícia aqui   









Guerra ao €

Moody’s coloca Alemanha, Luxemburgo e Holanda sob perspectiva negativa


notícia aqui

A tensão não vai parar de subir. 

A única saída do dólar e da libra é destruir o €.


domingo, 22 de julho de 2012

Já não assusta


Saída da Grécia do Euro «é possível e já não assusta»


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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Bancos europeus têm problemas na Espanha


Os bancos espanhóis não são os únicos sob pressão para se armar contra um colapso da economia espanhola. Bancos estrangeiros com grandes operações na Espanha também estão em posição difícil — e com poucas opções.
Para piorar, reguladores espanhóis e de outros lugares da Europa estão pedindo que os bancos convertam subsidiárias locais em entidades financeiramente autossuficientes, segundo pessoas com conhecimento dessa iniciativa regulatória. Em outras palavras, em vez de depender de fundos transferidos da matriz, subsidiárias locais teriam de ser capazes de captar recursos no próprio país.Três bancos europeus — Barclays PLC, Deutsche Bank AG e ING Bank NV — têm grandes subsidiárias na Espanha. Já injetaram bilhões de euros em capital para reforçar o cofre das filiais, mas, com o governo espanhol fazendo um sério exame da saúde do setor e a economia cambaleando, pode ser preciso ainda mais, segundo executivos de bancos e analistas.
A combinação da deterioração do cenário econômico na Espanha e da crescente pressão do governo ameaça tornar o país um mercado menos interessante para a atuação de bancos.
"O grande problema é que [os bancos] não podem sair", disse Christopher Wheeler, analista da Mediobanca Securities, em Londres. Wheeler se referia ao Deutsche Bank e ao Barclays, que ainda na década de 80 compraram bancos espanhóis.
É verdade que instituições como Barclays, Deutsche Bank ou ING são grandes e que suas respectivas unidades na Espanha representam menos de 5% do patrimônio mundial. Ainda assim, essas unidades vão derrubar o lucro futuro das controladoras, dizem analistas.
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terça-feira, 10 de julho de 2012

A UE é um império, e um império implica guerra

Ouvimos dizer, muitas vezes, que a UE trouxe a paz à Europa. No entanto, esta opinião não é partilhada pelo historiador Thierry Baudet, que argumenta, provocador, que um processo em que Estados-nação abdicam da sua soberania resulta, inevitavelmente, em conflito. É por isso que recomenda a dissolução do euro e a reposição das fronteiras nacionais.



O trunfo dos partidários do projeto europeu é dizerem que o nacionalismo conduz à guerra e a construção europeia leva a paz. Todas as perdas provocadas por Bruxelas no plano da democracia, da soberania e da transparência seriam definitivamente compensadas por um objetivo nobre: a paz.
Ora, essa suposição assente sobre um erro. O nacionalismo não conduz à guerra. A ambição de instaurar um império europeu é que conduz à guerra. A ambição de fazer entrar, a qualquer preço, diferentes povos numa camisa de forças leva à guerra. Em suma, é a construção europeia que conduz à guerra.
O fascismo e o nazismo eram dois eixos da construção europeia. Desde 1933, Mussolini partilhou a sua convicção de que a Europa poderia, novamente, exercer o seu poder sobre o mundo se conseguisse instaurar uma certa unidade política.

O novo Império Romano de Mussolini

O colaboracionista norueguês Vidkun Quisling defendia que deveríamos criar uma Europa que não desperdiçasse o seu sangue em conflitos mortíferos, mas que constituísse uma sólida unidade. E, a 11 de setembro de 1940, Joseph Goebbels afirmava: “Tenho a certeza deque, dentro de cinquenta anos, deixaremos de pensar em termos de país”.
A 28 de novembro de 1941, numa conversa com o ministro finlandês dos Negócios Estrangeiros, Adolf Hitler defendia que, manifestamente, os países da Europa andavam lado a lado, como membros de uma grande família. No seu estudo que faz escola, Nations and States (1977), o historiador Hugh Seton-Watson, da Universidade de Oxford, concluiu que as intenções de Hitler não se limitavam àquilo que podemos descrever como o nacionalismo alemão.
O seu objetivo era conquistar toda a Europa e um fasto território para além dela. Mussolini queria, por seu lado, fundar um novo império romano à volta do mar Mediterrâneo e os japoneses desejavam instaurar uma grande esfera de coprosperidade na Ásia Oriental. O racismo dos alemães também não era a expressão de um nacionalismo. Pelo contrário. A raça ultrapassava as fronteiras da nação e do Estado e a teoria racista é, por isso, por definição, uma doutrina internacional – e não nacional.

Os fundadores da UE

É ainda mais impressionante o facto de Robert Schuman, um dos fundadores do projeto europeu, ter sido, até 17 de julho de 1940, secretário de Estado do regime de Vichy, que colaborou com os alemães. Enquanto deputado pela Lorena, em 1938, apoiou ativamente a traição de Munique e contribuiu, assim, para tornar possível a anexação de uma parte da Checoslováquia pela Alemanha de Hitler. Nessa época, também insistiu para que Hitler e Mussolini estreitassem laços. A 10 de julho de 1940, Robert Schuman fez parte do grupo de deputados que apoiaram a tomada de poder por Pétain.
Jean Monnet, um dos outros fundadores, estava entretanto em Londres e tentava impedir a difusão na rádio dos boletins de informação diária de De Gaulle (coisa que conseguiu nos dias 20 e 21 de junho de 1940).
Além da II Guerra Mundial, também se atribui a causa da I Guerra Mundial ao “nacionalismo”. Mas, do mesmo modo, durante a I Guerra Mundial, o objetivo da Alemanha era submeter a um império as regiões que não eram alemãs. Esta guerra, aliás, começou no barril de pólvora transnacional, que era a Áustria-Hungria. Essa União Europeia antes do tempo que recusou conceder a independência aos sérvios da bósnia, o que incitou um grupo de “jovens bósnios” a planear o assassínio do arquiduque Francisco Fernando em junho de 1914.

Unidade política – grande fonte de tensões

A opressão exercida por um regime centralizador gera tensões. Uma das principais lições tiradas da I Guerra Mundial foi sem dúvida o “princípio da autodeterminação” – propagado, sobretudo, pelo presidente norte-americano Woodrow Wilson – que defende o respeito pelas diferentes nacionalidades, em vez de as querer dissolver ou de pretender integrá-las num todo mais vasto.
Se recuarmos ainda mais na História, percebemos uma vez mais que não foi o “nacionalismo”, mas sim o imperialismo e o desejo de unificação europeia que conduziram à guerra. Tomemos como exemplo as guerras napoleónicas. Napoleão queria instaurar os mesmos princípios para o bem da Europa: um código europeu, um supremo tribunal europeu, uma moeda comum, as mesmas unidades de medida, as mesmas leis, e por aí adiante. Napoleão esperava que a Europa se tornasse rapidamente uma única e mesma nação.
A ideia de que o nacionalismo conduz à guerra e que a unificação europeia leva à paz é, por isso, falsa. Ao longo dos últimos cinquenta anos a Europa ainda não conheceu a “paz”. Durante a maior parte desse tempo, os países da Europa estavam envolvidos numa luta de morte contra a União Soviética – também ela a expressão de uma filosofia antinacional: o comunismo. O trabalhador, dizia o Manifesto Comunista, não tem nacionalidade.
Como seria de esperar, hoje, a tentativa de unir politicamente a Europa também gera grandes tensões. Em quase todos os países europeus vemos aumentar o poder dos partidos que são contra a ordem estabelecida.

O nacionalismo possibilita a democracia

Na Europa do Norte, a desconfiança em relação ao Sul acentua-se e o inverso também é verdade. Também aqui, a fonte de conflito não é o nacionalismo mas o projeto europeu. Devemos, por isso, caminhar em direção a uma Europa completamente diferente da atual UE.
Uma Europa sem um regime centralizador – mas uma Europa de Estados-nação que cooperam entre si e que não têm medo das diferenças nacionais. É preciso devolver aos países a autoridade sobre as suas fronteiras nacionais para que sejam eles próprios a poderem decidir quem querem deixar entrar. Segundo o seu interesse económico, optarão por um regime brando de vistos, conservando o controlo sobre a criminalidade e a imigração. É preciso acabar com o euro para que os países possam respirar novamente no plano monetário e decidir as suas taxas de juro em função da boa orientação da conjuntura local. É preciso desmantelar grande parte da harmonização que apaga a diversidade.
Longe de ser fonte de conflitos, o nacionalismo é a força que torna possível a democracia. Sem essa força unificadora, o Parlamento jamais poderá tomar uma decisão legítima. O exemplo da Bélgica mostra, além disso, que a ausência de uma unidade nacional pode tornar a administração de um país extremamente laboriosa. O pânico do nacionalismo arrisca-se a instaurar um império imposto por Bruxelas. Vai sendo tempo de parar os ataques contra o Estado-nação.

artigo publicado aqui



segunda-feira, 9 de julho de 2012

O papel da Alemanha

A Alemanha tem que assumir o seu papel de líder

A ler no nosso blog parceiro Omnia Economicus


With love from Georgia

Há não muitos anos tivemos cá em Portugal um ex-ministro da Geórgia a trabalhar em Portugal nas obras. Agora pelos vistos precisávamos novamente cá era de uma certa ministra a gerir o ministério das finanças.


E enviaríamos com todo gosto alguns dos nossos para trabalharem nas obras. Aprenderem o que é o trabalho e a vida dura.





Procura-se donzela





Post publicado no O Insurgente.


Sob a batuta de Saakashvili, a Georgia adoptou reformas liberalizantes da sua economia. Simplificou o sistema fiscal reduzindo de 21 para 6 o número total de impostos, adoptando flat rates de 20% e 15% para os impostos sobre o rendimento pessoal e colectivo respectivamente. Definiu um limite constitucional de 30% do PIB para os gastos do estado e 60% para a dívida pública. Iniciou um processo de privatizações e desregulamentação em diversos sectores. Liberalizou o mercado de trabalho por forma a combater o alto desemprego e simplificou a burocracia para criar novas empresas. Em 6 anos passou de 112º para 16º no índice de Ease of doing business.


Com uma inflação de apenas 2%, a economia cresceu mais de 7% em 2011.


A donzela da fotografia é Vera Kobalia, ministra da economia.



sexta-feira, 6 de julho de 2012

O bom, o mau e o vilão


Pobre Alemanha, obrigada a apresentar garantias em massa para os seus perdulários vizinhos europeus. 

A República Federal fez tudo certo empurrando os seus custos de trabalho para baixo, mantendo a dívida pública baixa. E os seus vizinhos fizeram tudo errado deixando uma espiral elevada de salários e acumulando grandes pilhas de dívida pública. 

Mas agora a Alemanha prudente está sendo forçada a pagar a totalidade da conta.


Clique aqui para ver o gráfico.

E mesmo sem os custos adicionais de salvamento da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Chipre,  Berlim, está  a enfrentar o aparecimento de contas catastróficas do Banco Central Europeu (BCE) de apoio à liquidez  para o sistema bancário da zona do euro. O Bundesbank já acumulou grandes reclamações contra outros bancos centrais por meio do sistema de compensação monetária conhecida como "target 2".

Essa é a narrativa padrão da Alemanha. E é em grande parte falsa. As garantias que a Alemanha se estendeu - e as operações de liquidez enormes do BCE - foram realmente utilizadas para auxiliar as nações em luta da periferia da zona do euro. Mas eles também têm, como a nova pesquisa da Goldman Sachs demonstra, que o mecanismo foi usado também para resgatar os bancos alemães.

Alemanha teve persistentes superávits em conta corrente através de grande parte da última década, como o Gráfico 1 acima mostra, o que significa que as suas famílias e as empresas, no total, arrecadou mais do que gasto. Isso significa que, inevitavelmente, que a Alemanha acumulou enormes pretensões estrangeiras.Como O gráfico 2 mostra, estes atingiram € 1TRN  até 2011.

Como é que isso funciona? Famílias alemãs e empresas depositaram os seus excedentes financeiros em bancos alemães e gestores de fundos. Essas instituições, em seguida, usaram estas economias para comprar ativos no exterior. A maioria deles foram investidos em toda a zona euro.

Estes incluíram todos os tipos de ativos, que vão desde a dívida dos bancos irlandeses, para as imobiliárias espanholas, a acções gregas. Isso é correto: os bancos alemães ajudaram a inflar as bolhas que já explodiram em toda a zona euro, com consequências tão desastrosas.

Aqui é onde fica interessante. Os bancos alemães têm vindo a desvincular-se da sua exposição a sul da Europa desde 2007, como Gráfico 3 shows. As reivindicações dos bancos alemães do crédito bruto contra as nações da periferia da zona do euro caíram 50 por cento, para € 300 bilhões. Eles foram ocupados por outros ativos da zona do euro para reduzir os riscos de seus balanços.

E isso vem ocorrendo, como o BCE tem vindo a alargar o seu próprio balanço, ao fornecer empréstimos baratos para os bancos em todo o continente para os impedir de ficar sem dinheiro.  Aqui está como funciona: os bancos alemães pararam de emprestar para os bancos da periferia da zona euro. E os bancos foram assim forçados a financiar-se junto ao BCE.

Mas os riscos retornaram. As nações da periferia da zona do euro ainda estão a executar os déficits comerciais com a Alemanha. Esses déficits que foram anteriormente financiados pelos bancos privados alemães são agora financiados pelo BCE. 

"Não é coincidência que o aumento nos ativos externos líquidos do Bundesbank na folha de equilíbrio mais ou menos coincide com a diminuição verificada em balanços dos bancos", disse Dirk Schumacher, do Goldman.

O que isto significa é que os governos da zona do euro e do BCE, além de socorrer outros estados membros, foi também discretamente resgatar os bancos alemães e, por extensão, os alemão poupadores. Sem essas operações de emergência, a zona do euro teria rompido, os bancos alemães teriam falido e as economias de muitos alemães comuns poderiam ter sido exterminadas. E o mais provável é que o contribuinte alemão teria sido forçado a socorrer os bancos.

Assim, o povo alemão na hora de distribuir a culpa pela situação em que se encontram, não devem ignorar seus próprios banqueiros. Se essas instituições não tinham feito esses investimentos e financiar os déficits em conta corrente dos países vizinhos da Alemanha durante tantos anos, seu país não iria estar no gancho para centenas de milhões de euros de dívidas incobráveis.


artigo original aqui


Se eu fosse a Alemanha

Marc Faber: "Se eu fosse a Alemanha, teria saído da Zona Euro na semana passada"


notícia aqui



Alto e para o baile


Finlândia prefere sair do euro a pagar dívidas dos outros países... 


noticia aqui

e acrescente-se também as dívidas e buracos acumulados pelos bancos.





O futuro vislumbrado


Alemanha. “Os nossos filhos e netos vão sofrer com as ajudas à Europa”

A reunião do Eurogrupo de segunda-feira será, com certeza, um teste importante à forma como o governo alemão vai reagir à violenta tomada de posição de 172 economistas que ontem divulgaram um manifesto contra mais ajudas da Alemanha aos países em dificuldades na zona euro.

A chanceler Angela Merkel foi “forçada” a aceitar no Conselho Europeu da semana passada ajudas directas aos bancos europeus e compra de dívida soberana dos países do euro através dos fundos de resgate. Sinn tem alertado que o banco central alemão (Bundesbank) tem uma exposição de 500 mil milhões de euros a outros bancos centrais europeus, e não receberá esta verba, se a união monetária se desmoronar.

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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Prolongamento

Vai bonita a guerra na União Europeia. Depois dos foguetes lançados no final da cimeira da última semana, a realidade começa a impor-se com muita força. E os anunciados vencedores da madrugada de sexta-feira dia 29 de Junho, Monti e Rajoy, vêem agora que não há apoios grátis na Europa. A história, aliás, iniciou-se logo na sexta-feira à tarde quando Angela Merkel disse aos deputados alemães que o seu país tinha ganho dois vetos sobre a intervenção do novo Mecanismo de Estabilidade Financeira (MEE) no resgate dos bancos espanhóis e na compra de dívida soberana de países sob pressão no mercado secundário. Mais do que isso, a chanceler alemã deixou bem claro que uma decisão dessa natureza teria que ser tomada por unanimidade. A Finlândia aproveitou a boleia alemã e veio já esta semana declarar que admite vetar a compra de dívida por parte do MEE.


notícia aqui


Só falta levar a decisão final a pênaltis...