Publicado no Instituto Mises
A posição das quatro principais escolas de pensamento económico a respeito de 17 questões económicas fundamentais.
1) Qual é a importância económica da propriedade privada?
Resposta marxista: A propriedade está no centro das mais severas desigualdades e opressões da civilização moderna. Somente por meio da regulamentação, da transferência de renda, da redistribuição de riqueza e da propriedade comunal pode uma sociedade alcançar a igualdade, a justiça e a dignidade humana para todos.
Resposta keynesiana: A propriedade é um componente importante do nosso sistema social, mas não faz sentido dizer que há um "direito" de propriedade. A propriedade deve estar sempre sujeita a regulamentações e até mesmo a sofrer modificações em nome do bem comum. O estado deve intervir para impedir abusos de poder económico, mesmo que isso reduza as tradicionais regalias dos proprietários.
Resposta de Chicago: A propriedade é de importância central para a prosperidade e para o crescimento econômico. Consequentemente, é de suma importância que o estado — ou, mais abstratamente, a lei — mantenha e, sempre que necessário, modifique todo o conjunto de direitos de propriedade a fim de melhor alocar os custos de transação e, com isso, promover o máximo de crescimento e eficiência econômica. A propriedade não é algo que surge naturalmente; ela é o produto final do sistema legal.
Resposta austríaca: A propriedade é uma relação que surge naturalmente entre seres humanas e coisas materiais. A propriedade e os direitos do proprietário sobre sua propriedade tornam possível o cálculo econômico, permitem uma mais ampla e mais produtiva divisão do trabalho e, consequentemente, níveis crescentes de prosperidade. Com efeito, a civilização em si é inconcebível sem propriedade privada. Qualquer transgressão à propriedade resulta em perda de liberdade e de prosperidade.
2) O que é o dinheiro e como ele surge?
Resposta marxista: O dinheiro é um veículo para a exploração do proletariado. O dinheiro distorce o valor real das coisas. O dinheiro não é nem necessário nem desejável. Ele é apenas um produto artificial arbitrário da história. O progresso social levará a mudanças sociais revolucionárias, dentre as quais a eliminação do dinheiro. Isto irá acabar com a exploração e resultará em uma sociedade que tenha por objetivo a satisfação das necessidades reais, e não os lucros financeiros privados.
Resposta keynesiana: O dinheiro é uma criatura do estado. Instituições monetárias sadias requerem planejamento e um banco central. Bancos centrais também podem estabilizar mercados. Bancos centrais podem neutralizar as flutuações cíclicas que ocorrem no setor privado expandindo mais aceleradamente a oferta monetária durante recessões e reduzindo esta expansão durante os períodos de crescimento econômico. O controle estatal do dinheiro é o segredo para se bem gerenciar a economia.
Resposta de Chicago: O dinheiro pode se originar do escambo, mas interesses privados provavelmente não irão aperfeiçoá-lo de modo a satisfazer as necessidades de uma economia moderna. Uma economia tem de ter um banco central para sustentar o setor financeiro. Esforços para se manipular a economia por meio de constantes alterações na oferta monetária irão, na melhor das hipóteses, fracassar; na pior, gerarão severos problemas. As autoridades monetárias não devem aumentar a oferta monetária arbitrariamente. Elas devem aumentá-la a uma taxa constante, e que seja correspondente à taxa de crescimento de longo prazo da economia.
Resposta austríaca: O dinheiro sempre surge do escambo. Em uma economia de escambo, é extremamente raro um indivíduo conseguir encontrar uma pessoa que tenha o desejo de trocar seus bens pela exata quantidade de bens que este indivíduo esteja portando. Esta dificuldade de comércio resulta no surgimento de moedas-commodities. Commodities duráveis, facilmente reconhecíveis, portáveis e divisíveis, como o ouro e a prata, tipicamente assumem as qualificações de ser o melhor e mais confiável tipo de dinheiro disponível. O dinheiro e as instituições relacionadas a ele surgem como uma consequência não-premeditada do comércio e do interesse próprio. A evolução do dinheiro e destas instituições ocorrerá mais harmoniosamente caso seja deixada a cargo das forças concorrenciais de mercado que os criaram. Intervenções estatais irão resultar em inflação e produzir várias outras distorções.
3) Qual é a origem do valor económico de um bem?
Resposta marxista: O valor de uma mercadoria é igual à quantidade total de trabalho utilizada em sua produção. Se uma bicicleta possui o mesmo valor de mercado de, digamos, 500 ovos, então podemos dizer que 1 bicicleta = 500 ovos. Em que consiste esta igualdade? Obviamente, não estamos dizendo que a bicicleta é "igual" aos ovos; não estamos dizendo que ambos possuem propriedades físicas semelhantes. Se examinarmos a questão cuidadosamente, concluiremos que aquilo que ambos têm em comum é a quantidade de trabalho utilizada em sua produção.
Resposta Historicista (não existe uma resposta propriamente keynesiana para esta pergunta): O valor económico é uma questão complexa que não pode ser explicada por meio de fórmulas simples. Para entender por que as pessoas de uma determinada sociedade valoram algumas coisas mais favoravelmente do que outras, temos de estudar sua cultura e sua história. Por exemplo, uma tribo indígena pode ter estimado um determinado animal como sendo sagrado. Já os europeus brancos, obviamente, não compartilhavam deste sistema de valores e, por isso, chacinavam os animais. O mesmo é válido para um bem ou serviço no mercado.
Resposta de Chicago: O valor de um bem é determinado pela interdependência entre oferta e demanda, ou por aquilo que pode ser chamado de interação do custo e da utilidade. Contrariamente a algumas escolas de pensamento econômico que tentam explicar o valor com base apenas na utilidade, a abordagem correta é aquela de Alfred Marshall, que percebeu que o valor econômico se deve tanto às preferências subjetivas quanto às condições tecnológicas objetivas. Para ver isso mais claramente, considere que, se os custos de produção de um determinado bem subirem, seu preço final neste novo equilíbrio terá de ser maior na mesma proporção.
Resposta austríaca: Objetos físicos como uma banana ou um automóvel não possuem um valor econômico intrínseco. Ao contrário: somente uma mente humana pode atribuir valor a estes itens; e somente então podem os economistas classificar estes itens como sendo bens. Um objeto só é valioso se houver ao menos um ser humano que acredite que este objeto poderá ajudar a satisfazer seus desejos subjetivos. Por exemplo, uma determinada raiz que cure o câncer. Se ninguém souber deste fato, esta raiz não terá nenhum valor econômico, e as pessoas não trocarão dinheiro por ela. Consequentemente, o valor é gerado pelos desejos subjetivos de um indivíduo e por suas crenças quanto às propriedades causativas de um determinado item.
continua...